| Entrevista com Ricardo Fanucchi - líder projeto G-Box - Container Datacenter Gemelo |
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O primeiro Container Datacenter do Brasil chega agora em outubro como parte da estratégia da Gemelo de expandir sua atuação, hoje focada na oferta de serviços de full outsourcing. Fruto de dois anos de pesquisa sobre o que existe de melhor em tecnologia de datacenters no mundo todo, o CDC teve como base de desenvolvimento três principais objetivos: permitir um crescimento sob demanda – filosofia central da Gemelo , gerar economia ao cliente e trazer tecnologia de última geração. “Embora usado por empresas em outros lugares do mundo, o conceito trazido aqui para o Brasil foi um pouco diferente: o que vimos foi que os fabricantes de containers em sua maioria também eram fabricantes de equipamentos, e de certa forma, o container acabava sendo uma embalagem prática para a implantação rápida de milhares de servidores em grid”, explica Riccardo Fanucchi, responsável técnico pelo CDC da Gemelo. A empresa não possui vínculos com nenhum fabricante ou tecnologia em especial: sua vocação é a de procurar e conhecer todas, e aplicar as melhores . Na questão de contenção de incêndio, por exemplo, foi usado um revestimento certificado e o piso é feito a partir de um composto cimentício usado em plataformas de petróleo. No caso dos extintores de incêndio, optou-se pelos gases FM200 e Novec, que diminuem a concentração de oxigênio do ar permitindo a extinção de chamas de forma mais rápida e segura. Outra inovação foi o uso do barramento elétrico sólido (Busway) de alta capacidade (1,2 megawatts), que permite que esta capacidade seja distribuída entre os 17 racks conforme a demanda, evitando o tradicional transtorno de alterar a infraestrutura elétrica quando é necessário elevar a capacidade de um determinado rack. A refrigeração, um dos pontos mais críticos na operação e responsável por uma parcela considerável do custo de operação de um datacenter, recebeu atenção especial neste projeto. “A refrigeração confinada em pequenos espaços promove maior eficiência e melhor distribuição. Em lugares maiores, com grandes áreas de piso elevado, a circulação do ar exige motores muito mais potentes, e a distribuição acaba sendo irregular, além de ter perdas consideráveis. Na prática algumas máquinas acabam trabalhando em temperaturas adequadas”, explica. No CDC, o lado frio é totalmente separado do lado quente, o que diminui o delta de temperatura e promove insuflação adequada para cada rack. A opção pela refrigeração a gás ecológico torna a operação mais viável economicamente em comparação ao uso de chillers a água. Como a empresa é especializada em lidar com operações críticas, toda a estrutura do container é redundante: refrigeração, extinção de incêndio, alimentação, sensores e controles. “Colocamos tudo de melhor possível no CDC”, diz Fanucchi.Os racks são todos monitorados e possuem um sistema de billing, permitindo saber todas as suas grandezas elétricas e o custo de seu consumo de energia. Também é informado o PUE – que é o overhead elétrico, ou seja, toda a energia que é gasta para refrigerar o container sobre o consumo dos equipamentos instalados. O valor médio hoje é de 1,3, uma marca bem abaixo do que se obtém em um datacenter tradicional. Podendo ser ainda menor, com a utilização de copressores de gás tipo inverter e trocadores de calor air-to-air. Na questão de controle de acesso, a Gemelo optou por leitor biométrico termo-facial, que oferece maior precisão. Toda a monitoração do container é feita com a utilização do sistema Ninsoft da CA, que permite a visualização de todos os parâmetros do container e dos equipamentos e sistemas nele instalados, bem como a definição de alarmes que são exibidos nos painéis do centro de operações da Gemelo e enviados por e-mail e sms para os envolvidos na operação e manutenção da infaestrutura . O desenvolvimento de parceiros nacionais foi crucial para o sucesso do projeto. “Sem parceiros locais com elevada capacidade técnica e o comprometimento necessário para um projeto deste porte, corríamos o risco de inviabilizar o CDC. Neste sentido, a atuação da Multiway que é a responsável pela elaboração do projeto executivo, desenvolvido com a utilização do software SolidWorks e também pela fabricação dos componentes metálicos e toda a montagem do CDC e da Elite Automação, que desenvolveu todo o hardware e software responsáveis pelo controle e monitoração do CDC foram fundamentais para o acesso a tecnologias de ponta e a viabilização dos custos”, afirma Fanucchi. As lacunas mencionadas por Fanucchi podem ser resumidas em quatro aplicações onde o CDC está especialmente indicado. A primeira delas é o conceito do “Datacenter Anywhere”, ou seja, para qualquer empresa que hoje não pode vir até um DC, seja por uma inviabilidade técnica como ou, por exemplo, custo de link proibitivo ou por estar fora do eixo Rio-São Paulo. O CDC pode ser instalado em qualquer lugar e entregar alta capacidade e eficiência em um espaço bastante reduzido. Outra situação pode ser uma resposta a necessidades por um determinado período de tempo, como, por exemplo grandes construtoras em obras de maior porte, ou eventos pontuais. “Desde eventos de médio porte até grandes como a copa do mundo ou as olimpíadas, o CDC pode ser montado rapidamente e retirado em curto espaço de tempo, e com um custo permissível”. A terceira aplicação refere-se ao Disaster Recovery, considerado por Fanucchi como uma opção imbatível para as empresas que precisam garantir a disponibilidade de seus sistemas. “Nenhuma outra solução tem custos menores do que conseguimos com o Container Datacenter”. E, por fim, viabiliza o custo de instalação de servidores em grid, demanda cada vez maior para a implantação de infraestruturas para cloud computing.
Quadro de aplicaçõesData Center Anywhere Mobilidade Disaster Recovery Cloud computing |
