Entrevista com Sidney Fabiani

Presidente da Gemelo.
O futuro da Gemelo com o Data Center próprio e o primeiro Container Data Center


Com onze anos de mercado, a Gemelo é uma empresa que já se reinventou várias vezes. Nascida do  investimento conjunto da Compaq e da Intel, em seus primeiros cinco anos de existência dedicou-se a grandes projetos de armazenamento, atendendo empresas como Bradesco, Unibanco e Telefônica.

Em 2005, no processo de fusão da Compaq com a HP, a Gemelo viu a oportunidade  de não mais ser apenas guiada por fortes planos e diretrizes corporativas comuns a empresas deste porte, para dar espaço a vôos mais ousados: migrou de uma empresa mais tradicional, provedora de serviços de armazenamento, para  ter 66% de sua receita nos últimos anos oriunda de projetos de full outsourcing.

”Muita gente pode achar isso muito estranho. Frequentemente nos perguntam como conseguimos fazer esta mudança tão grande em pouco tempo”, comenta Sidney Fabiani, hoje presidente da empresa. Para ele, esta guinada foi fruto da compreensão de como funciona a mente do CIO, e, colocando-se em seu papel é que nasceu uma nova Gemelo.
“Percebemos que, antes de mais nada, a enorme responsabilidade do cargo traz também o receio da escolha do fornecedor: muitas vezes víamos que alguns CIOs preferiam decidir em função de uma marca forte do que se arriscar em uma solução em que realmente acreditavam,  mas que não fosse de uma empresa conhecida.” , relembra.

Então a Gemelo dedicou-se a divulgar seus cases de sucesso, com operações complexas de clientes de grande porte e visibilidade nas principais verticais do mercado: finanças, educação, manufatura e serviços.  A estratégia deu certo e tornou-se mais conhecida, mas não foi a única responsável pelo que a Gemelo é atualmente: “ Neste mercado, vence a competência e a credibilidade. Fomos atrás de montar o melhor time do mercado, vindo de grandes empresas de TI, trazendo a maturidade que precisávamos adquirir rapidamente. E quem confere expertise às empresas são as pessoas”.
E ainda, para completar o tripé de sucesso, “fomos ao mercado buscar ferramentas de última geração. Escolhemos a CA de ponta a ponta. Analisamos o quadrante do Gartner e esta solução foi a única que nos garantia qualidade superior e permitiria gerenciar qualquer porte de operação:, afirma Sidney.

O acesso à tecnologia de ponta e o compromisso de oferecer qualidade independente de um vínculo com um fabricante específico acabaram por colocar a empresa em uma nova transformação. Em 2010  a Gemelo recebeu  investimento de um fundo, que foi diretamente aplicado na criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento. “Viajamos o mundo todo  e vimos que há tecnologias muito mais modernas do que hoje se vê nos data centers aqui no Brasil. Criamos um projeto que acabou se desdobrando nos dois principais focos da Gemelo para este ano e o próximo”.

E assim, em outubro deste ano, a empresa lança o primeiro container data center do Brasil. O CDC – como está sendo chamado – é fruto da percepção da oportunidade de oferecer no país uma inovação  a um custo muito acessível.
Primeiramente, a compreensão de que a refrigeração é um ponto-chave nos data centers, mudou o  uso da  água e chillers para  por equipamentos a gás por um décimo do valor.
Em segundo lugar, o processo de economia poderia ser ainda incrementado com uma alteração nos projetos tradicionais:  separando-se totalmente os corredores frios dos quentes do data center, haveria ainda uma redução de mais 40% no consumo de energia.

No total, estima-se um custo de operação 50% menor e com performance muito superior. “Não tem porque não usufruir destes benefícios.”, comemora Sidney, que faz questão de frisar que grande parte da tecnologia utilizada no CDC não estava disponível no país, e para isso investiram no desenvolvimento de parceiros locais.
O outro desdobramento das pesquisas culminou no segundo grande projeto da Gemelo, previsto para 2012: o data center próprio, com o mesmo apelo de economia, e que já promete ser reconhecido como o primeiro data center ecológico da América Latina.

Baseado na premissa de economia de energia e aumento de eficiência, até mesmo a localidade foi escolhida em função disto: “Elegemos Cotia como o local de nosso DC. Descobrimos que, em média, a cidade tem 67 dias por ano com temperaturas abaixo dos 15 graus. Isto representa uma redução no consumo de energia de 8%, e ainda tem a vantagem de ter toda a rodovia Raposo Tavares já cabeada”, explica Sidney. Outro fator importante de redução é o conceito de paralelismo de servidores, que aproveita o calor gerado de forma a retroalimentar todo o sistema de refrigeração. “No total, o DC da Gemelo gerará uma economia de 50% e será totalmente compliance tier 3”, conclui Sidney.

Em ambos os projetos, a empresa tem como objetivo manter sua cultura de atender necessidades sob demanda, possibilitando escalabilidade e ganho para o clientes. E com um crescimento superior a 100% anuais nos últimos três anos,muita competência, pesquisa e flexibilidade traz à tona o seu DNA: uma empresa criativa voltada para oferecer serviços sob medida com o estado da arte em tecnologia.